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Julia Reis | Coleção Jupitá

9 de julho de 2020

 

A gente adora contar a história dos nossos alunos, conheça Julia Reis e seu projeto de conclusão do Saperfare em Design de Moda do IED Rio. Confira nosso papo:

 

Julia, como você conheceu o IED e escolheu o curso de Moda? Quais eram os planos na época?

R: Eu sempre gostei de moda, desde pequena desenhava roupas e pensava em ter uma marca. Porém, quando prestei vestibular moda não era uma opção, pois não havia oferta do curso em faculdade pública. Optei por estudar cenografia na UNIRIO e lá conheci o figurino. Me apaixonei e vi ali uma oportunidade de aproveitar minha faculdade e ao mesmo tempo trabalhar com roupas. Logo após a faculdade entrei para a TV Globo através de um processo seletivo e comecei a trabalhar como figurinista. Apesar de ter uma boa base de história da indumentária e certa experiência, sentia falta de uma formação em moda. Eu já acompanhava o IED através das redes sociais e no início de 2019 conversei com um amigo que havia feito um curso Master no instituto e decidi investir no curso de Moda.

Durante a sua formação, quais foram os momentos mais impactantes para você como aluna? O que foi mais significativo no processo de aprendizagem?

R: Logo no início do curso tivemos uma matéria chamada Moda Étnica e ali meu caminho começou a ser traçado. Como mulher preta me senti muito feliz em ver que existe no IED um ensino de moda que vai além da Europa. Parece que um bichinho me mordeu e comecei a ter vontade de pesquisar mais sobre culturas africanas e sobre a grande influência delas na construção do nosso país e da nossa cultura.

Como que a sua experiência no IED Rio e a conclusão do curso se tornou relevante para sua carreira profissional? O que mudou?

R: Além de agregar conhecimento e otimizar meu olhar enquanto figurinista, decidi realmente criar uma marca, a Jupità. Juntando a descoberta de um mundo de possibilidades nas pesquisas que faço com a minha vontade pessoal de buscar minhas raízes étnicas, a Jupità vai falar sobre temas relacionados às culturas africanas e afro brasileiras, com o intuito de incentivar mulheres pretas a se orgulharem de suas origens africanas e de empoderar não só pela beleza, mas principalmente pelo conhecimento. 

Para o projeto final quais foram as suas inspirações? Conte como o projeto virou realidade e quais as expectativas para a apresentação no final do ano?    

R: Quando comecei a planejar o projeto final, logo pensei em escolher um tema relacionado à herança cultural africana no Brasil. Comecei a pesquisar e me interessei pelo povo Iorubá (também chamados de Nagôs), que é o maior grupo étnico-linguístico do continente africano e tem uma cultura riquíssima. Parte de seu povo foi escravizado e trazido para o Brasil. Para cá eles trouxeram elementos de sua vestimenta, como os panos de cabeça (turbantes) e o pano da costa, o culto aos Orixás e instrumentos musicais. Tudo nos looks faz referência a eles. A religiosidade original deles está presente nas formas arredondadas que vem de uma coroa usada em cultos e nos losangos das estampas, que fazem referência a uma roupa também usada em ocasiões religiosas, os Orixás do Candomblé (religião brasileira de matriz africana construída por eles e por outros povos escravizados) são representados por Oxum, trazendo o amarelo e os búzios, o xadrez e as listras dos panos da costa estão presentes de forma sutil na imagem final das estampas das peças e de forma clara nas luvas e polainas do styling, os tingimentos tie dye são muito antigos na cultura deles e foram incorporados tanto nas próprias técnicas usadas para tingir, quanto na paleta de cor, já que o índigo é o pigmento usado por eles.  Para o styling decidi refletir os tempos que vivemos para protestar contra uma fala racista de um médico francês que sugeriu que a vacina contra o novo coronavírus fosse testada no continente africano sendo que lá não é e nunca foi o epicentro da pandemia e para agregar uma vivência pessoal muito profunda. No início deste ano eu estava em Milão para cursar o módulo internacional do curso de Moda do IED quando a pandemia começou na Itália. Foi extremamente frustrante ter os planos cancelados pelo Covid-19. Quando decidi incluir esse momento no desfile, lembrei que no dia que estive em Milão fiz uma amarração de turbante que cobria nariz e boca e ali vi uma oportunidade de transformar esse momento ruim em algo belo e produtivo. Desenvolvi mais algumas amarrações, acrescentei luvas, polainas, óculos de proteção e segundas peles para evidenciar um corpo que precisa ser coberto para não se infectar. Estou muito ansiosa para o desfile, pois além de ser a conclusão do curso é também o início de um sonho, já que pretendo produzir as peças para a minha marca.


Roberta de Freitas
"As mãos no texto, o olho no design e o coração na trilha sonora." Formada em Jornalismo pela PUC-Rio, atuou no mercado da música e do audiovisual. Com extensão em Design Gráfico pelo IED Rio, assina agora os textos da sede carioca.

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