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Coolhunting, tendências, consumo e crise

17 de agosto de 2017

*Por Bruno Pompeu

 

 

Faz pelo menos dez anos que a questão do consumo passou a ocupar espaço central em diversos contextos. Congressos acadêmicos foram realizados, programas de pós-graduação foram abertos, inúmeras pesquisas foram contratadas, matérias jornalísticas foram publicadas… enfim, o assunto ficou em alta e a palavra “consumo” se popularizou. Não, isso não quer dizer que antes disso o consumo não tivesse sido estudado ou que não fosse mesmo um assunto importante. Pelo contrário: são do final do século XIX alguns dos estudos fundantes do pensamento humanista que se deposita sobre o fenômeno do consumo. Isso sem falar nas publicações e nos autores das ciências sociais – sociologia e antropologia – da década de 60 do século passado, até hoje basilares para quem quer estudar o assunto.

Mas o fato é que o consumo, como fenômeno sociocultural complexo, ganhou evidência nas últimas décadas. E isso não tem a ver só com as movimentações do meio acadêmico ou com os modismos típicos do marketing e da gestão corporativa: o consumo, como se sabe, foi fator central nas transformações por que o Brasil passou nos últimos anos. Tendo por pano de fundo questões econômicas, políticas, tecnológicas, demográficas e culturais, o consumo foi ao mesmo tempo causa e consequência do Brasil que tínhamos até há pouco tempo, em que tudo o que se oferecia era vendido, em que tudo o que se produzisse era comprado, em que o clima de prosperidade econômica e a relativa abundância financeira davam o tom de ‘tudo pode’ com que todos nós nos acostumamos.

Foi nessa época, inclusive, que se passou a explorar – à exaustão, aliás – a noção de um consumo simbólico, abstrato, não-material. Um consumo que parecia prescindir do produto, que praticamente ignorava necessidades concretas ou práticas, que dava a impressão de se sustentar apenas na busca por sentidos ou valores. Só que os tempos mudaram, o pano de fundo é outro e hoje o que temos é um cenário completamente diferente, com uma crise de natureza múltipla plenamente instalada e um clima mais para a retração e a contenção do que para qualquer coisa. Ou seja: temos um consumidor que, além de instável, imprevisível, bem informado e desafiador, agora precisa pensar melhor no que vai comprar.

Daí que tenhamos hoje, ao mesmo tempo, uma nítida busca pela fuga, pelo irreal, pelo distante e pelo fantasioso – nunca esteve tão em alta o consumo da ficção, seja em seriados, em HQs ou em um imaginário povoado de sereias, unicórnios e duendes –; e um imenso apego ao prático, ao útil, ao versátil, ao preciso e ao ajustado – planos, pacotes, produtos e serviços que realmente sirvam para alguma coisa, que não sugiram desperdício, que não representem um gasto desnecessário, que simplesmente façam sentido.

Entender esse consumidor em crise é um dos desafios do mercado na atualidade – é, sem dúvida, o grande desafio das empresas que nasceram ou cresceram nesses últimos anos citados acima. E o que se sabe é que esse consumidor demanda um entendimento que escapa das técnicas tradicionais de pesquisa, recusa os enquadramentos de sempre, foge a qualquer tentativa simplista, reducionista ou purista de estratégia ou operação. Entender esse consumidor de hoje é encontrar oportunidades em meio ao cenário de retração, é vislumbrar a chance de transformar um negócio ou uma marca e se adequar aos tempos de agora, é se aproximar das pessoas, se alinhar com o mercado, se adiantar nas ofertas e estar mais perto de alcançar seus objetivos.

E é nesse contexto que o coolhunting e as pesquisas de tendência ganham destaque, oferecendo uma visão híbrida, complexa e profunda sobre o consumidor contemporâneo, procurando entender a sua relação de sentido com as marcas e suas ofertas – produtos, serviços, ideias etc. Se o que o consumidor busca, atualmente, mais do que nunca, é aquilo que faça sentido, entender esse sentido é o desafio de quem está do lado de cá do balcão.

Entendendo o design como linguagem, como concretização máxima do consumo, como plano material de mediação entre a oferta e a procura, entre a sensibilidade e a criatividade, entre o que se cria e o que se deseja, é que o nosso curso de Coohunting do IED-SP foi pensado. É enxergando o design como espaço privilegiado para o entendimento desses valores que esse consumidor de hoje busca que pensamos na estrutura do curso, no conteúdo de cada aula, na presença de cada professor convidado. E, se você quer saber mais sobre essas questões todas – consumo, cenário atual, design, tendências, oportunidades na crise, entendimento do consumidor contemporâneo –, vem aqui no IED-SP, que a gente conversa!

 

Saiba mais aqui.



Bruno Pompeu é publicitário,formado pela Escola de Comunicações e Artes (ECA-USP),
doutor e mestre em consumo, comunicação e semiótica pela Universidade de São Paulo 
(PPGCOM-USP). Atua desde 2004 no mercado de pesquisas de tendências, tendo
participado regularmente da elaboração prática e conceitual do Observatório de 
Tendências, do instituto Ipsos. Responsável pelos estudos de semiótica do 
instituto Ibope, também participou da elaboração do relatório anual Brasil: Contexto 
e Tendências. É professor de pós-graduação do Istituto Europeo di Design – IED São 
Paulo, onde também é responsável pelo curso de extensão em Coolhunting.

 


Irina Gatsalova

Irina Gatsalova estudou arquitetura de interiores na Universidad San Francisco de Quito, moda na Faap e Hotelaria na Anhembi Morumbi. Seu histórico profissional inclui tradução e redação na Sputnik Brasil, parte da agência de notícias Russia Today em Moscou, Rússia, e organização de vernissages em galerias de arte. Com vivência internacional em Moscou, Quito, Madrid e Roma, possui experiência nas áreas de vendas ligadas à arte e design, relações públicas, tradução, e social media marketing. Atualmente, se dedica à content hunting no IED São Paulo e é artista visual no www.irinagatsalova.com.


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