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Gabriele Goretti fala sobre os desafios das marcas em vivência no IED São Paulo

8 de junho de 2016

Por Carina Costa*

O IED São Paulo recebeu o coordenador de moda do IED Firenze, Gabriele Goretti, para a vivência Fashion Rethinking – valores avançados de marca e inovação em design de produto no cenário contemporâneo da moda na sexta-feira, 3 de junho.

Foi um dia intenso oferecido aos alunos e interessados em se atualizar no assunto. Pela manhã, aconteceu uma palestra e, no período da tarde, foi colocado em prática o conhecimento adquirido com a realização de um trabalho individual de branding adaptado para marcas brasileiras.

Sob o tema central The New State of Luxury, Gabriele apresentou de que maneira este mercado é visto atualmente, considerando os efeitos em diversos segmentos, como novas tecnologias, comunicação, fabricação e posicionamento do varejo.

Gabriele, ao conceituar o que é luxo na moda, afirma que hoje é um privilégio comprar intensidade, ou seja, luxo é tudo aquilo que leva tempo e, portanto, é considerado valioso. Para exemplificar, mencionou algumas marcas: Hermès, por ser uma grife valorizada pelo cliente somente pelo fato de se esperar meses para conseguir uma bolsa de qualidade; Max Mara, por criar seu trench-coat considerado “timeless” (atemporal); e Zara, pelo baixo custo de distribuição.

Quanto aos efeitos, ele começou com um recado aos profissionais: “Os designers devem se importar adquirindo um novo jeito de criação de acordo com o que o mercado quer no momento e não com a partir de visão particular”. Esta responsabilidade é tanto do designer, em interpretar as tendências de moda, quanto do marketing, para entender como promover melhor a qualificação de produção.

 

“Hoje a visão passada ao consumidor é superficial. Marcas que fazem bem esta união de serviços especiais aos clientes são Ermenegildo Zegna e Gucci”, considera Goretti.

Na comunicação, os efeitos que agregam valores para a apresentação do produto apresentam novas segmentações: No Gender, Fashion Slow e See Now Buy Now (a Burberry e a Prada são marcas pioneiras nisso). Há que se considerar também as experiências durante as fashion weeks, criando um lifestyle junto à marca: “A moda deve ser uma experiência holística”, explica. E ainda entender a presença efetiva dos fashion bloggers como embaixadores criativos.

Na fabricação, o coordenador afirma que, para gerar vendas rápidas, é essencial investir em novas tecnologias para a criação. A marca italiana infantil Monnalisa é exemplo de um excelente trabalho.

 

“Não é fácil criar uma nova marca, mas há espaço para criatividade e inovação. Fashion designers do futuro precisam entender mais sobre tecnologia, sendo necessário criar uma coleção digital antes de fazer um protótipo. Não tenha medo da tecnologia”, estimula.

Como último efeito, a experiência no varejo foi colocada em questão por meio de vários exemplos positivos existentes no mercado europeu. O importante é destacar os valores tangíveis e intangíveis ao consumidor. A Brunello Cucinelli reinventou seu branding ao trazer o cliente mais próximo quando proporcionou uma retail experience dentro de um castelo no borgo medieval de Solomeo. A Ferragamo também fez algo similar em Florença. Já a Luisa Via Roma articula muito bem seu e-commerce com sua loja física e, por fim, a Amazon vem investindo no portal “Made in Italy”, no qual, além de vender produtos de excelência italiana, dá oportunidade para o consumidor vivenciar o lifestyle italiano apenas navegando pelo site.

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“Não queremos somente fast fashion. É fundamental transmitir valores do produto pelo produto e engajar as pessoas com bom storytelling.”

Este conceito de trabalhar a história por trás da marca é o que a Itália faz de melhor por conservar a tradição e a produção manual de qualidade. A região da Toscana é pioneira nisso, tanto na moda quanto nas artes, e ainda sabe unir ambas perfeitamente. É de lá que saem boa parte das bolsas da Prada e da Fendi.

 

“As pessoas acreditam no trabalho manual como uma identidade. A população de lá valoriza e vive a cultura artesanal. Ninguém tem vergonha da sua origem.”

Ainda há uma resistência em incluir a tecnologia na cadeia, este é um dos aspectos que falta ser difundido. O novo artesão é um suporte para melhorar a técnica, ele precisa saber dosar habilidade manual com o know-how de controle das máquinas.

Para finalizar, Gabriele fez um levantamento dos objetivos que o conceito Made in Italy precisa explorar atualmente: valorizar o inesperado; trabalhar com a mão de obra local promovendo-a de forma global; divulgar o processo de criação por meio de mídias não digitais para o consumidor entender o que é este luxo.

 

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Carina Costa

 

 

 

 

* Carina Costa é pós-graduanda em Fashion Marketing and Communication pelo IED São Paulo. É editora de conteúdo online, produtora audiovisual e criadora do carinacosta.com.br.


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