Você já ouviu falar em Design ativista? Trata-se de um movimento de designers que está ganhando cada vez mais destaque no Brasil e no mundo. Esse grupo utiliza os recursos criativos para lutar por causas em que acredita, contribuindo para o desenvolvimento da sociedade.

Para quem pensa em seguir carreira como designer, conhecer mais sobre o papel e o trabalho focado no Design ativista é interessante. 

Isso porque essa pode ser uma vertente para a sua carreira profissional, um hobby ou ferramenta de luta para chamar atenção a pontos que você considera importantes.

Quer saber mais sobre o Design ativista? Então, é só continuar lendo! Contaremos tudo neste artigo!

Design ativista: entenda mais sobre esse conceito e como ele se desenvolve na sociedade

O ativismo, no sentido filosófico da palavra, significa o ato de defender algo, buscando a transformação da realidade a partir de uma crença.

Ou seja, uma pessoa ativista é alguém que usa o seu poder de voz e desenvolve ações para que as pessoas fiquem atentas para determinada causa ou situação. Assim, pretende transformar a sociedade ou pelo menos chamar atenção para determinado tema.

É por isso que é comum ouvirmos falar que tal artista é um ativista, que fulano está engajado com o ativismo ecológico ou dos direitos humanos. Afinal, o ativismo é quase um sinônimo de luta ou militância.

Um exemplo de ativista bastante conhecida e que tem ganhado espaço na mídia recente é a estudante Greta Thunberg. A jovem sueca defende que os governos de todo o mundo adotem ações para mitigar as mudanças climáticas.

Tendo essa ideia em mente, fica mais fácil compreender o que é o Design ativista. Na prática, os profissionais que aderem a essa vertente voltam o seu trabalho para um sentido que vai além do tradicional.

Ou seja, o Design passa a ser focado naquilo que o designer acredita e não tem apenas o objetivo de gerar lucro.

Assim sendo, as criações artísticas assumem um papel importante na sociedade, abrindo os olhos das pessoas para temas importantes de serem debatidos para o nosso desenvolvimento como comunidade.

O Design ativista como ferramenta para mediação de conflitos sociais

Os conflitos sociais fazem parte da sociedade desde que o mundo é mundo. Sempre existiram e sempre existirá grupos de pessoas com diferentes formas de pensar a sociedade, a forma como ela está organizada, entre outras questões.

Porém, as diferenças que temos uns com os outros não devem ser motivo para provocar desentendimentos, brigas ou motivo para sentimentos de ódio, por exemplo. Isso vai desde uma simples briga entre vizinhos até uma grande guerra entre países de grande potência, por exemplo.

O Design ativista assume, em meio a esse contexto, um papel de mediador de conflitos. Os designers podem desenvolver trabalhos que visem despertar a consciência da sociedade para que as diferenças sejam respeitadas.

O Design Gráfico, aqui expresso como uma função bem mais artística do que comercial, passa a integrar um rol de atividades culturais (como a música, a dança, o teatro, a literatura etc.) com o poder de mediar conflitos e fazer com que a sociedade evolua e pense sobre questões de grande relevância.

4 exemplos de aplicação do Design ativista que você precisa conhecer

A valorização e o crescimento do Design ativista tem feito com que esse tipo de trabalho seja cada vez mais reconhecido. Listamos alguns exemplos para que você entenda mais sobre o tema. Veja!

1. Design ativista – Mídia Ninja

A Mídia Ninja é um portal de notícias que assume abertamente a sua parcialidade política. O grupo criou também um movimento que recebeu o nome de Design ativista, que reúne designers e ilustradores que desenvolvem peças para pregar preceitos políticos.

As peças desenvolvidas pelo grupo de designers ativistas da Mídia Ninja tem temáticas diversas. Elas vão desde a conscientização para o fim do racismo até críticas explícitas a determinados grupos políticos.

2. Queer X Design

Em 2019, o historiador da arte Andrew Campbell criou a coleção “Queer X Design”, uma coleção de peças de Design Gráfico que documenta 50 anos do ativismo LGBTQIA +.

Ele lançou um livro que reúne centenas de faixas, símbolos, posters, bandeiras e logotipos que foram usados durante as últimas cinco décadas por representantes da comunidade LGBTQIA +.

Campbell fez um resgate histórico do Design ativista, desde o surgimento do movimento de libertação dos direitos dos gays até os dias atuais.

O historiador declarou em entrevistas que o Design e a arte gráfica contribuíram muito para que a comunidade gay tivesse os seus direitos respeitados e reconhecidos na sociedade.

3. Madres de la Plaza de Mayo

As “Madres de la Plaza de Mayo” são um grupo de mães que se reúnem periodicamente na Praça de Maio, em Buenos Aires, capital da Argentina, para exigir notícias de seus filhos, que desapareceram durante a ditadura militar ocorrida no passado naquele país.

O grupo tem como símbolo um lenço branco, que é muito utilizado em peças desenvolvidas por designers ativistas que se compadecem com a causa.

4. Marcha das Vadias

Em janeiro de 2011, um policial canadense repreendeu um grupo de estudantes da Universidade  de Toronto, que protestavam contra uma onda de violência sexual no campus. 

Ele pediu que “as mulheres parassem de se vestir como vadias”, para que não fossem vítimas de assédio. Surgiu assim, em todo o mundo, a Marcha das Vadias, um coletivo de mulheres ativistas que lutam pela liberdade sexual e o fim do assédio.

Os designers ativistas também são muito presentes nesse coletivo. Isso porque, nas manifestações não faltam cartazes, faixas e outras peças gráficas desenvolvidas por profissionais que apoiam o movimento.

E então, será que você é ou pode se tornar um adepto do Design ativista? Sem dúvida, a sua arte pode ajudar a conscientizar muitas pessoas para causas importantes.

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