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Rio Ethical Fashion | O resultado do encontro Moda e Academia

5 de agosto de 2019

 

 

O Rio Ethical Fashion, primeiro fórum internacional sobre sustentabilidade na moda, foi realizado no Rio de Janeiro e ocupou o IED Rio em junho de 2019.

O encontro “Moda e Academia – Ética e Inovação”, foi voltado exclusivamente para educadores de todo o país. A reunião realizada no IED Rio promoveu o debate sobre os novos conteúdos e desafios do ensino da moda no Brasil. O evento foi comandado pelo americano Patrick Duffy, fundador da Global Fashion Exchange, uma plataforma internacional que promove a sustentabilidade na indústria da moda.

Confira agora o resultado deste encontro e o conteúdo gerado a partir da discussão.

 

“Uma mudança fundamental é necessária na forma como pensamos o papel da educação no desenvolvimento global, porque tem um enorme impacto no bem-estar dos indivíduos e no futuro do planeta. Agora, mais do que nunca, educação tem uma responsabilidade de estar alinhada com os desafios e aspirações, e dotada dos valores e habilidades que levarão ao crescimento inclusivo e sustentável, e a uma vida de paz para todos “.Irina Bokova, Director-General of UNESCO.

Como atividade integrada do Rio Ethical Fashion, MODA E ACADEMIA reuniu educadores dos cursos de Moda no dia 06/06/19, no IED-Rio, para discutir e compartilhar os conteúdos capazes de gerar a mudança na formação dos profissionais do futuro da indústria brasileira.

. De que forma a Educação pode contribuir para acelerar a transição para a Moda Sustentável?

. Quais competências e habilidades são necessárias para a abordagem da Sustentabilidade na Educação Superior?

. Como engajar os estudantes na transformação para uma moda responsável e limpa?

. Quais são os entraves e barreiras a abordagem da Sustentabilidade na Moda nos cursos de formação profissional?

. Que ações podem criar comprometimento nas instituições e organizações de ensino?

. De que formas a Academia pode se tornar um parceiro das marcas e da indústria nessa transformação rumo à Inovação?

A partir de uma análise SWOT, os grupos de trabalho apresentaram suas avaliações do momento atual da Educação para a Sustentabilidade na Moda.

NOSSAS FORÇAS

  • A “Brasilidade”: – Talentos e características natos como criatividade, bom-humor, empatia, resiliência, sensibilidade, capacidade de encantamento, ser lúdico ; Recursos naturais e biodiversidade abundantes ; Diversidade cultural pode facilitar trabalho no pilar cultural da sustentabilidade
  • Consciência: – Força jovem trazendo visão de futuro – Criação de redes e aumento da colaboração e parcerias ; Tomada de consciência na sustentabilidade e na educação ; Busca pelo conhecimento e motivação pelo desafio ; Estudantes puxando as escolas e acelerando as mudanças
  • Design e Tecnologia: – Pensamento de design crescendo pra ser um pensamento de mudança ; Mais informações disponíveis sobre formatos e processos de criação e produção ; Cada vez mais tecnologia sendo desenvolvida ; Cada vez mais profissionais com experiência real no assunto
  • Conteúdo Acadêmicos: -Sustentabilidade já está sendo trabalhada de forma transversal nos curriculuns – Referências teóricas dentro do país (cada vez mais acadêmicos brasileiros produzindo sobre o assunto) – Linhas de pesquisa na academia voltadas para sustentabilidade; educação específica para a sustentabilidade crescendo – Facilidade no acesso a conteúdo sobre moda sustentável, mais publicações e muitos sites com informação atualizada – Eventos focados no assunto e articulando troca entre diferentes instituições

 

NOSSAS FRAQUEZAS

  • Zeitgeist: – Como sociedade trabalhamos pouco os valores não materiais como espiritualidade e empatia – Falta de pensamento coletivo
  • Acesso: – Centralização das discussões no sul e no sudeste. É preciso incluir mais instituições nesse diálogo – Moda pouco diversa e representativa do nosso mercado consumidor – Discussão não chega em todos os stakeholders sociais com o peso necessário (ex: economistas, jornalistas). É preciso buscar aliados fora da Academia. – Acesso restrito a recursos sustentáveis (alunos precisam de materiotecas sustentáveis e acesso de fato a compra nos fornecedores de materiais limpos) – Discussões no campo das ideias, pouco aplicáveis – Pouco conhecimento da legislação e pouco apoio político nesse sentido
  • Velhos modelos: – Crise da educação, conjuntura desfavorável – Falta de visão estratégica e sistêmica das instituições, pensamento de longo prazo – Sistemas burocráticos e engessados impedem a adaptação ágil de currículos (normas do MEC retardam mudanças ais urgentes e definitivas) – Falta de engajamento das instituições e do mercado na transformação do ensino de Moda – Olhar sobre o retorno financeiro ainda freia processos. Modelo de negócios das instituições de ensino visa resultado a curto prazo – Resistência da indústria e do comércio às inovações desenvolvidas na academia – Falta de verba para pesquisa – Não conseguimos avaliar impactos porque não temos as métricas para medi-los ainda. Precisamos desenvolver métricas para a evolução dos processos dentro da Academia.

OPORTUNIDADES (fatores externos)

  • Colaboração: – Aproximação entre Academia e outros players como indústria – Colaboração entre instituições de ensino – Mudar o paradigma de concorrência para complementaridade nas propostas – Incentivo ao debate – Criação de redes de produtores, makers, educadores, estudantes, pesquisadores. – Quantidade cada vez maior de eventos e debates no espaço público
  • Cultura: – Ativismo e engajamento em alta – Entender que biomas e comunidades são oportunidades de desenvolvimento e trabalhar na sua preservação – Repensar o modelo de negócios da Academia junto com a produção cultural em geral – Entender moda como a mais poderosa das indústrias criativas – Globalização / descolonização / Empoderamento negro, feminino, LGBT- temas essenciais para serem debatidos nas Instituições de Ensino.
  • Novos modelos: – Mudança de comportamento do consumidor – Interesse da indústria, curiosidade, busca por entender os novos padrões – Marcas se preocupando em mudar internamente – Desenvolvimento de tecnologia e processos mais avançados de produção – Transversalidade do tema na grade curricular

AMEAÇAS (fatores externos)

  • Crise Política: – Sistema político atual que gera clima de desconfiança e aumento da insegurança – Corte de verbas da educação – Aceleração de processos impactantes e predatórios – Involução civilizatória
  • Crise de Recursos / Produtiva: – Custo crescente e mau uso de recursos naturais – Tecnologia para produção industrial em massa ameaçando empregabilidade
  • Crise econômica: – Altos preços de produtos e serviços – Instabilidade econômica – Falta de investimento em pesquisa e tecnologia – Sistema econômico individualista – Alto custo da produção sustentável
  • Crise social: – Desigualdade no acesso à educação – Sistema de valores sociais falhando – Superficialidade na abordagem de questões fundamentais para a compreensão da sustentabilidade – Mentalidade colonizadora e que valoriza a ostentação do consumo – Falta de diversidade social e racial – Visão de sustentabilidade como marketing; greenwashing

Abaixo um resumo cases apresentados por educadores iniciando as discussões nos Grupos de Trabalho:

1)ELOISA ARTUSO– Diretora educacional do Fashion Revolution Brasil

– Resistência de corpos docentes para trazer o assunto sustentabilidade na moda para dentro da sala de aula – Gráficos na apresentação mostram o crescimento do engajamento de escolas e estudantes embaixadores (neste ano, mais de 130 atividades durante o Fashion Rev Week) – Exemplos de atividades feitas em escolas / universidades: feira de trocas, oficinas, rodas de conversa, palestras, exibição true cost doc… – Interessante: outros cursos não relacionados a moda mostraram interesse em trazer o assunto para debate. Exemplos nos slides da Elo. – Fórum Fashion Revolution: 200 inscritos e 23 trab apresentados – trabalhos disponibilizados no site do Fashion Rev. → Inscrições abertas no momento.

2)JULIA VIDAL– educadora e pesquisadora, especialista em moda étnica

– De que forma trabalhar de forma ética com comunidades indíginas e africanas – para que regulações devemos estar atentos? Como trabalhar com respeito às propriedades culturais. – Cuidado com estereótipos e racismos. Olhar crítico. – Depoimentos de alunos sobre o curso – importância do resgate cultural / entendimento de questões de apropriação cultural.

3)ALINE MONÇORES– coordenadora do Design de Moda da Universidade Veiga de Almeida

– Tema de sustentabilidade na universidade desde 2011. – Em 2018, o tema ‘’projetos sustentabilidade’’ foi retirado da grade – se tornou assunto tratado em todas as disciplinas de projeto. – foi apresentado em video o projeto Denim Lab, conduzido pela Professora Eleonora Alves que investiga o jeanswear a partir da abordagem da sustentabilidade. Práticas de upcycling, redesign e reuso são incentivados como estratégias de design de produto. – A marca Think Blue de upcycling nasceu nesse laboratório.

4)LARISSA ROVIEZZO – designer, consultora e co-fundadora da agencia re/Generate

– Como usar os ODS como um guia para trabalhar com design sustentável
– Moda sustentável a partir do design – entender como design pode ter um impacto. Encoraja usar os ODS como guia para design de moda. – Apenas 10 escolas no mundo são focadas mesmo em design sustentável – Até 80% do impacto ambiental de um vestuário é decidido na fase do design – pq designers não são/foram treinados para pensar em impacto ambiental. – ODS como um guia para implementar a sustentabilidade. – Metodologia do Re/generate em 3 etapas: 1) Explicar os ODS, o que são, como se relaionam à moda; 2) Estratégias e desenvolvimento de produto vinculados aos ODS 3) Como implementar a mudança na cadeia de valor. – Jogo / ODS canvas desenvolvido pelo re/Generate – Estudantes de Design de Moda do IED-Rio participaram de Workshop re/Generate na semana do REF.

5)JULIA TORO- do Instituto Ecotece e GABRIELA MACHADO do blog Roupartilhei:

– Inst.Ecotece – frentes: 1) capacitação de grupos vulneráveis (mulheres, periferia, saúde mental, presernação de cultura) 2) apoia marcas que queiram produzir suas peças com mais cuidado / resposabilidade, e ecotece insere esses grupos no desenvolvimento dos produtos; 3) xxx (ver slides) – Projeto de criação de roupas com tecidos reciclados – criaram metodologia a partir disso. 5 Rs: Repensar, reduzir, reutilizar, reciclar e replicar. Projeto com alunos de escolas estaduais. – Aplicação do jogo de tabuleiro desenvolvido: Fase do ‘’Repensar’’ (fase 1) da metodologia mencionada acima. Como repensar a moda; jogo traz algumas das problemáticas da cadeia da moda. – ‘’Reduzir’’ (fase 2) – economia circular e novas formas de consumo. Ex feira de trocas realizada. – ‘’Reutilizar’’ (fase 3) – uso de resíduos para criação de acessórios / roupas – ‘’Reciclar’’ (fase 4)– soluções para reciclagem – ‘’Replicar’’(fase 5) – como contar a história sobre moda sust para o mundo – cada aluno como agente de transformação.

6)ANA CLAUDIA LOPES e AMANDA VASCONCELOS – coordenadora e professora de graduação e pós-graduação de Design de Moda do Senai-Cetiqt.

– Redesenho da grade curricular – bacharelado a partir da formação de Comitês técnicos setoriais. Foi então definido o perfil do profissional de design. – Unidades de competência: 1) Desenvolver Projetos 2) Gerenciar Processos 3) Promover a Comunicação. A partir dessas competências, definidas no comitê setorial, foi criada a nova grade curricular. – Buscam sempre trazer para dentro da sala de aula o ‘’mundo do trabalho’’ que o estudante vai vivenciar na indústria têxtil.
– Na nova matriz curricular, a sustentabilidade aparece como transversal a todos os módulos / ao longo do currículo. Sustentabilidade deixa de ser uma matéria ‘’separada’’ no curso, e passa a ser de fato integrada ao ensino. – Caminho trilhado para inovação e tecnologia – indústria 4.0: também é tratada transversalmente na nova grade curricular (que começou a vigorar em 2019.1). Ex. Estudantes ficarão a partir de agora um semestre macro, por ex, trabalhando questões de sustentabilidade e design colaborativo – ao invés de desenvolverem projetos mais pontuais – dada a transversalidade dos assuntos.

7)IDILIA SEIXAS – representante do SAP Next Gen:

– SAP é uma empresa de tecnologia alemã fundada em 1970 que trabalha com 35 industrias, incluindo a Moda, buscando criar conexões entre elas. No plano educacional desenvolveram uma metodologia através de projetos com as ODSs, impressão 3D etc… – – A SAP tem programas para rastreabilidade e sourcing para empresas de moda, experiência com produtos e serviços, sempre buscando a inovação através da tecnologia digital como prioridade.

8)CONTEXTURA – representada por Lilyan Berlim

– Contextura é uma empresa que atua como lab de pesquisa, um modelo híbrido entre centro de pesquisa e marca de moda – usa a pesquisa (aberta) para informar clientes sobre os processos sustentáveis da moda. Trabalha com resíduos, a partir de sobras indústriais. O trabalho é desenvolvido a partir de pesquisa da própria Contextura. Associa as dimensões de moda, arte, design e sustentabilidade, e promovem cursos para compartilhar os conhecimentos desenvolvidos. – Recebeu o prêmio Ecoera em 2018.

9)LILYAN BERLIM – educadora e pesquisadora Sua trajetória. Trabalho com foco no modelo de negócios da moda sustentável. É autora do primeiro livro publicado sobre o assunto no Brasil, Moda e Sustentabilidade-uma reflexão necessária, 2012.

– Lugar de fala específico como pesquisadora, de um país sul em desenvolvimento, de onde saem os recursos. – Mencionou pesquisadoras-referencia como p.ex. Kate Fletcher, da University of Arts London (Centre for Sustainable Fashion) – Economia criativa fala de abundância e não de escassez! Precisamos pensar em moda enquanto abudância, criatividade…precisamos passar a entender o novo luxo como o luxo que está localizado no território da economia criativa. Fala de valores intangíveis, de resgate, circularidade, inclusão. Precisamos de inclusão, precisamos empoderar mulheres – não somos apenas consumidoras da moda (somos costureiras, educadoras etc.). Pensar na politização do consumo.

10)ELAINE TAVARES – co-fundadora da Casa Ibirapitanga

A Casa Ibirapitanga publicou um livro bilíngue, Guia do Design Consciente, mapeando os designers brasileiros de moda, arte e interiores, que produzem de forma consciente. Realizou na 25 Bienal Internacional do Livro de SP o E-Ditando Moda Sustentável, um espaço com mobiliário de construção sustentável e responsável, que proporcionou uma programação com a presença de 34 palestrantes entre professores, designers, autores e pesquisadores. O objetivo do projeto é fomentar o conhecimento na área de moda e design, bem como estimular e engajar pessoas a práticas mais positivas para a sociedade e o meio ambiente.


Roberta de Freitas
"As mãos no texto, o olho no design e o coração na trilha sonora." Formada em Jornalismo pela PUC-Rio, atuou no mercado da música e do audiovisual. Com extensão em Design Gráfico pelo IED Rio, assina agora os textos da sede carioca.

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