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Panelas inclusivas: projeto de aluna IED é finalista do Salão Design 2016

17 de fevereiro de 2016

Um jogo de utensílios para a cozinha que visa a segurança e o conforto dos usuários. Pode parecer uma ideia comum, mas o projeto desenvolvido por Raisa Andrade, 22 anos, foi concebido para ajudar as pessoas que precisam de ajuda extra em suas tarefas diárias. A Designer de Produto, formada no IED São Paulo, é finalista do Salão Design 2016 – um dos prêmios mais importantes do setor, na categoria “Acessórios Domésticos”.

Embora tenha sido pensada e concebida para ajudar qualquer pessoa, a coleção Alexis teve uma inspiração muito pessoal para Raisa: sua mãe, Mirtz Ferreira de Andrade, que é portadora de artrite reumática há 40 anos. O mesmo projeto, apresentado e muito bem avaliado como trabalho de conclusão de curso, também foi finalista do Prêmio Museu da Casa Brasileira no ano passado.

Entenda melhor o projeto e as soluções de design voltadas a um perfil de usuário – pessoas com limitações nos membros superiores. Abaixo, uma entrevista completa com Raisa Andrade.


IED-SP: O que te motivou a desenvolver a coleção de panelas especiais Alexis? 

Raisa Andrade: A minha maior motivação para esse projeto foi a convivência de 22 anos com a minha mãe, portadora de artrite reumatoide, que possui a doença há mais de 40 anos, e vivenciar e observar de perto as dificuldades diárias dela. O meu objetivo era facilitar ações do cotidiano, prolongar a independência física e tudo isso de forma segura. Eu não queria criar algo que fosse exclusivo para uma pessoa portadora de deficiência, mas sim que todos pudessem se beneficiar daquele produto, tendo artrite, outra doença ou nenhuma.

IED-SP: Durante sua pesquisa, quais as características da artrite reumatoide exigiram adaptação em termos de ergonomia e escolha de matéria-prima?

R. A.: A artrite é uma doença sistêmica crônica progressiva degenerativa que causa dor constante, rigidez, deterioração das articulações, cartilagens, ossos, tendões e ligamentos. Geralmente, os lugares mais afetados são as mãos, pés, joelhos, cotovelos e ombros. E tudo isso causa dependência física. Nas mãos temos as deformações nos dedos, desvio dos dedos e deformação dos pulsos, e também ocorre redução da preensão palmar que costuma ser 8,6kg na esquerda e 8,7kg na direita.

Essas características foram levadas em conta, pois implicam em limitações dos movimentos, fraqueza e fragilidade. O material deveria ser o mais leve possível, para que o usuário aguentasse transportar a panela com alimento dentro de modo seguro, prevenindo acidentes e lesões maiores nas articulações, e ter a menor aderência dos alimentos, para facilitar no momento da limpeza.

IED-SP: Você acha que a produção de utensílios e outros equipamentos destinados a portadores de deficiências é uma tendência atual?

R. A.: No Brasil, temos 75,5% dos idosos portadores de alguma doença crônica, como a artrite reumatoide. Apesar dos idosos serem grandes consumidores, eles reclamam que não encontram produtos específicos. Também se estima que a população mundial adulta portadora de artrite reumatoide seja de cerca de 72 milhões de pessoas; e no Brasil, 2 milhões de pessoas. Com certeza, esse é um nicho que tem muito a ser explorado, mas infelizmente são poucas as pessoas que enxergaram a oportunidade desse mercado.

 

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Raisa (esq.) pede para sua mãe demonstrar o funcionamento da panela

IED-SP:  Cite, por favor, as especificações dos utensílios Alexis e as etapas de fabricação até chegar no resultado final.

R. A.: Derivado de alexo, cujo o significado é “ajudar” em latim, o nome Alexis significa “aquele que ajuda”. E esse é o real objetivo do projeto: ajudar!

As bases das panelas são padronizadas em questão de material e característica estrutural, havendo variação de altura e diâmetro. Para que a pega seja fixada em cada base da panela, foi pensado em um fixador padronizado, ele não terá alteração de tamanho, nem de espessura, e será fixado no centro deslocado do centro geométrico (sendo que 33% do perímetro de todas panelas são compostas pelo cabo). Isso garante que todas as pegas sejam fixadas na altura e distância correta e ideal para que a panela seja segura, como foi estudado durante o processo projetual. Apesar de serem feitas de aço inox (material com boa condutibilidade de calor) são vazados para que haja maior dissipação do calor, e com um pequeno revestimento lateral de baquelite. A pega possui o diâmetro maior que a boca de cada panela (3 cm a mais), e são variáveis de acordo com a alteração de diâmetro das bases das panelas do jogo. Se localizam acima da boca da panela para se serem mais seguras, pois estão mais distantes do fogo e do metal. E seu diâmetro, maior que a boca, mantêm a mão em uma posição confortável em relação ao calor. Esse afastamento da pega em relação ao corpo da base também ajuda o usuário a ter melhor encaixe da mão, se tornando mais firme e consequentemente mais seguro, evitando perda de equilíbrio e força.

Já em relação à base, para a produção das bases das panelas será usado o processo de estampagem e, para revestir a parte externa, será feita a pintura eletroestática, enquanto a parte interna será revestida com cerâmica.

IED-SP: Quem foi seu orientador nesse projeto? Quem te ajudou a concebê-lo?

R. A.: Tivemos uma equipe de professores do IED São Paulo, de diferentes especialidades, ajudando na orientação. Todos eles foram necessários para que o projeto acontecesse, desde os que acreditavam em mim quando determinei meu objetivo, até aqueles que duvidaram até o dia da apresentação da minha banca. Muitos me ajudavam em encontros no corredor, mensagens tarde da noite com pedidos de ajuda, e-mails durante feriado. Ganhei até livro para que me ajudasse no processo. Sou eternamente grata por toda a ajuda, orientação e carinho que recebi dos professores do IED. Aprendi muito e acredito que não seria capaz de desenvolver o projeto sem ter cursado design de produto no IED.

IED-SP: Você tem alguma preferência ou especialização dentro do design de produtos? 

R. A.: Por eu ser designer de interiores também, a parte de mobiliários e artigos de decoração realmente me atraem muito. Atualmente, estou focada na criação de artigos de decoração para casa, estou inaugurando uma loja virtual com objetos feitos e personalizados por mim.  A minha loja, Geometric Home, pretende entregar aos clientes peças de design, para que cada objeto não seja um mero detalhe, mas que cada item dê personalidade e crie uma identidade ao lar. Também me encanta muito a criação de brinquedos.

IED-SP:  Quais seus objetivos na carreira a médio e longo prazos? O que você gostaria de realizar? 

R. A.: A maior conquista no momento seria ver meu projeto ALEXIS no mercado ajudando muitas pessoas e transformando o jeito convencional de cozinhar. Além disso, estou inaugurando a Geometric Home, e em paralelo irei fazer um curso de cenografia para entrar nesse nicho do mercado.

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